“Meu estilo é narrativo e cultural, uma fusão entre identidade ancestral e contemporaneidade. Cada projeto busca contar histórias únicas.”
Arquiteto, mestre em Semiótica Urbana e coordenador dos cursos de Design do IED-SP, Alexandre Salles é uma das vozes mais atentas às conexões entre espaço, cultura e identidade. À frente do Estúdio Tarimba, ele une tradição, inovação e impacto social em projetos que vão do design de interiores à curadoria de grandes eventos.
Na entrevista a seguir, ele compartilha sua trajetória, visão crítica e o papel do design como agente transformador.
Biografia
- Como você começou no mundo da Arquitetura e Design de interiores? Por que você escolheu essa profissão?
A arquitetura sempre foi uma paixão que nasceu da minha curiosidade em entender como os espaços impactam a vida das pessoas. Cresci em São Paulo, uma cidade marcada pela complexidade urbana, e desde cedo observei como as construções moldavam a cidade, as interações humanas e até mesmo as histórias. Minha origem periférica me permitiu vivenciar a arquitetura de uma forma muito próxima e sensível. Pude experimentar, na prática, como a falta de planejamento adequado e as desigualdades estruturais influenciavam a qualidade de vida nas comunidades. Isso me motivou a buscar soluções que pudessem transformar realidades. Quando escolhi a arquitetura, meu desejo era criar espaços que fossem além da funcionalidade. Eu queria projetar ambientes que contassem histórias, dialogassem com a memória, a cultura e as necessidades das pessoas.
- Onde ou com quem você estudou?
Minha formação em arquitetura começou na FAU-USP, uma instituição renomada que me proporcionou uma base sólida tanto nos aspectos técnicos quanto conceituais da profissão. Aprofundei meus conhecimentos com um mestrado em Semiótica Urbana, que me permitiu compreender mais profundamente como os espaços se comunicam e influenciam a experiência humana. Ao longo da minha trajetória, tive o privilégio de colaborar e aprender com profissionais incríveis e comunidades diversas. Desde professores acadêmicos, que me ensinaram a importância de aliar teoria e prática, até artesãos e mestres de ofícios tradicionais, todos contribuíram para expandir minha visão. Liderar meu próprio estúdio, o Estúdio Tarimba, tem sido uma experiência contínua de aprendizado, onde exploro o diálogo entre tradição, inovação e identidade no design e na arquitetura.
- Como foi seu primeiro projeto?
Meu primeiro projeto foi um espaço residencial pequeno, mas extremamente significativo para mim. Foi a primeira vez que pude aplicar o que havia aprendido na universidade em um contexto prático e perceber como a arquitetura pode transformar a vida das pessoas. Trabalhar diretamente com o cliente me ensinou a importância de ouvir, entender sua história e traduzi-la em um design que fosse funcional e autêntico.
Estilo
- Quais foram suas inspirações?
Minha inspiração vem de profissionais que combinam técnica, narrativa e sensibilidade cultural. Lina Bo Bardi, pela maneira como traduzia identidade brasileira em sua arquitetura, é uma referência constante. Além disso, Achille Castiglioni, com sua abordagem criativa e centrada nas pessoas no design de mobiliário, também me inspira profundamente.
- Quais são suas cores favoritas?
Minha paleta favorita é composta por tons que evocam conexão com a terra, como ocres, verdes profundos e neutros quentes. Essas cores proporcionam conforto, acolhimento e resgatam uma ligação ancestral com a natureza.
- Qual seu período ou época do design?
Sou apaixonado pelo modernismo brasileiro, que une simplicidade formal a uma riqueza cultural extraordinária. Também me inspiro no estilo das casas tradicionais e originárias brasileiras, como as quilombolas e indígenas, que expressam uma conexão profunda com o território, os recursos naturais e as tradições culturais.
- Há algum material que você SEMPRE usa em seus projetos?
Madeira certificada é indispensável. Ela carrega histórias em suas texturas e veios, conecta-se ao meio ambiente e transmite uma sensação de aconchego e durabilidade aos espaços.
- Como você definiria seu estilo?
Meu estilo é narrativo e cultural, uma fusão entre identidade ancestral e contemporaneidade. Cada projeto busca contar histórias únicas, refletindo as memórias, os valores e as necessidades de quem o habita.
- Já usou ou tem utilizado algum material da Cosentino em seus projetos?
Sim, já utilizei materiais da Cosentino, como Dekton, pela resistência e estética versátil, que atendem tanto a demandas funcionais quanto criativas. É uma escolha sustentável para aplicações como bancadas, pisos e revestimentos de alto impacto visual.
Visão do futuro
- O quão diferente é o jeito como vivemos em nossos espaços hoje em dia?
Hoje, os lares são mais multifuncionais e orientados para o bem-estar. Espaços integrados e flexíveis ganharam protagonismo, refletindo a busca por equilíbrio entre introspecção, conexão e sustentabilidade.
- Na sua opinião, quais os próximos passos do design de interiores? Há alguma tendência em vista?
O futuro do design de interiores está na personalização consciente. Tendências apontam para uma maior integração de tecnologia, sustentabilidade e ancestralidade, com projetos que equilibram inovação e memória cultural.
- Quais materiais você acredita que serão tendência, nesse sentido?
Materiais regenerativos, como bio-resinas, fibras naturais, compostos reciclados e opções que incentivem a economia circular, serão essenciais. A busca por alternativas que aliam estética e responsabilidade ambiental será o foco.
Trabalho
- Qual projeto é seu maior orgulho?
A instalação Ocupação Terreiro representa a síntese do meu trabalho. É um projeto que une ancestralidade e contemporaneidade, promovendo o diálogo entre arte, design e identidade cultural.
- Quais tem sido seus principais desafios e aprendizados?
O maior desafio tem sido criar projetos que equilibrem narrativas culturais profundas com soluções práticas e acessíveis. Aprendi que o design é uma ferramenta de diálogo e transformação, sempre atento às pessoas e suas realidades.
- Há algum projeto que ainda não fez, mas quer fazer?
Gostaria de me aprofundar no design de mobiliário voltado para educação, criando peças que promovam aprendizado inclusivo, colaborativo e culturalmente significativo.
- Qual será seu próximo projeto?
Estou desenvolvendo um projeto para o Fuori Salone 2025, que explorará a relação entre design, sustentabilidade e educação. Será uma oportunidade de expandir o impacto social do design em um contexto internacional.
Sustentabilidade
- O quão importante é a sustentabilidade naquilo que você faz?
A sustentabilidade é um dos pilares centrais do meu trabalho. Não a vejo apenas como um requisito técnico, mas como uma filosofia de design que permeia cada decisão criativa e prática.
- Como você a aplica de maneira prática?
Incorporo materiais locais e de baixo impacto ambiental, priorizo a durabilidade e integro processos éticos e regenerativos. Além disso, busco parcerias colaborativas que ampliem o impacto social e ambiental positivo de cada projeto.

COMERCIAL RAMAL (FOOD COURT), Estúdio Tarimba - 134 Office - Kura

CORPORATIVO VTM FAMILY OFFICE, Estúdio Tarimba - Stefano Semionato Arquitetura

COMERCIAL CARA PRETA BELVEDERE, Estúdio Tarimba - Stefano Semionato Arquitetura

CENOGRAFIA LEO MADEIRAS, Estúdio Tarimba - Stefano Semionato Arquitetura
“Escolho materiais que carregam significado. Madeira certificada, bio-resinas, fibras naturais… todos eles ajudam a contar uma história e conectar o projeto ao ambiente.”
Alexandre Salles
Arquiteto

